Academia Brasileira de Ciências lança documento sobre biodiversidade e impacto das mudanças climáticas na Amazônia
- Solano Ferreira
- há 1 hora
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Documento reúne artigos de mais de 40 cientistas de destaque com diferentes abordagens e recomendações sobre o bioma

Em meio às diferentes ameaças e pressões que incidem sobre a Amazônia, bioma que ocupa 49% do território brasileiro, se estende por outros oito países e abriga a maior biodiversidade do mundo, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) lança o documento "Considerações da Ciência Brasileira sobre a Amazônia". A publicação, que reúne artigos de mais de 40 cientistas de destaque no país, é fruto dos esforços de um grupo de trabalho criado neste ano sobre o bioma.
Confira a íntegra do documento aqui.
O documento é composto por 27 resumos temáticos elaborados por especialistas. Os textos fazem uma revisão do estado da arte da ciência atual sobre a Amazônia e trazem recomendações em bullet points para tomadores de decisão e interessados em políticas públicas. Entre os temas abordados, estão a biodiversidade na região, oferta e disponibilidade de água, impacto das mudanças climáticas sobre espécies e outras ameaças que levam à vulnerabilidade socioambiental, além de discussões sobre urbanização, mineração, saúde, política e ciência, entre outros.Este é o terceiro documento lançado pela ABC no embalo dos debates da COP30. O primeiro, um relatório das discussões sobre o bioma na Reunião Magna ABC 2025, está disponível neste link.
Dias antes da conferência, a Academia também promoveu o evento "Um chamado científico para a COP30". O encontro reuniu representantes de Academias de Ciências de países amazônicos e de outras nações que colaboram com pesquisas e financiamento de ações de conservação na região, e resultou em um documento com recomendações a delegações participantes da COP30.A nova publicação foi coordenada pelo pesquisador do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e vice-presidente da ABC para a Região Norte, Adalberto Val. Além dele, fazem parte do grupo de trabalho sobre Amazônia os cientistas Fabiano Lopes Thompson (UFRJ), Ima Célia Guimarães Vieira (MPEG), Karen Barbara Strier (Univ. de Wisconsin, EUA), Maria Teresa Fernandez Piedade (Inpa) e Neusa Hamada (INPA). Já o livro tem participação de diversos outros convidados, incluindo cientistas de diferentes instituições nacionais e regionais, como INPA, UFPA, UEPA, Fiocruz, INMA, ICMBio, Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado, UnB, USP, UFRJ, UFBA, UFPE, entre outras.
"O sistema amazônico é um organismo integrado: a saúde da floresta determina a dos rios, que por sua vez sustentam as populações que vivem na região. Quando uma dessas partes é pressionada, todo o sistema sente o impacto. Proteger a Amazônia exige simultaneamente conservar seus ecossistemas, garantir dignidade e oportunidades para suas populações, e enfrentar de forma decisiva a dependência global de combustíveis fósseis. A ciência já mostrou o caminho, agora precisamos que a política acompanhe a urgência do momento", afirma Adalberto Val, para quem as discussões precisam continuar mesmo após o fim da COP30.
"Aqui no Brasil, precisamos seguir fazendo a lição de casa: reduzindo o desmatamento; reflorestando e rematando; mitigando os efeitos sobre a segurança alimentar; ampliando os estudos sobre os biomas brasileiros, não só descrevendo o que contém, mas compreendendo-os e desenhando formas de protegê-los; ensinando desde a tenra idade a necessidade de cuidar do ambiente em que vivemos", completa.
Sobre a ABC
Fundada em 1916, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) é uma instituição independente e sem fins lucrativos que reúne alguns dos mais destacados cientistas do país em diferentes áreas do conhecimento. Sua missão é promover a ciência, a educação e a inovação em benefício do desenvolvimento nacional e do bem-estar da sociedade. A ABC atua como órgão consultivo em temas estratégicos de ciência, tecnologia e inovação, oferecendo subsídios técnicos para a formulação de políticas públicas. Por meio de estudos, pareceres e publicações, contribui de forma ativa para o debate nacional sobre questões científicas, ambientais, sociais e econômicas de grande relevância. Com um quadro atual de cerca de 600 membros titulares e 150 membros afiliados, é uma das mais antigas e prestigiosas associações científicas do país.






