As cidades perdidas da Amazônia: uma civilização avançada antes da chegada dos europeus
- Solano Ferreira
- 11 de nov.
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Muito antes da chegada dos europeus ao continente, no século XVI, o território que hoje conhecemos como Amazônia já abrigava uma civilização complexa, organizada e profundamente conectada com a natureza.
Pesquisas arqueológicas recentes indicam que entre 8 e 10 milhões de pessoas viviam na região, distribuídas em redes de assentamentos interligados que se estendiam por centenas de quilômetros — verdadeiras cidades amazônicas.

Estudos conduzidos por instituições como a Universidade de Exeter e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) revelam que algumas dessas comunidades chegavam a reunir até 50 mil habitantes, com ruas alinhadas, praças centrais e sistemas de irrigação e agricultura sustentável.
Essas descobertas só foram possíveis graças à tecnologia LIDAR, um sistema de varredura a laser que permite enxergar o solo sob a copa das árvores. As imagens revelaram estruturas geométricas, estradas interligadas e montes artificiais, comprovando que os povos amazônicos modificaram o ambiente de forma planejada e sustentável — muito distante da ideia de uma “selva intocada”.

Além de cultivar mandioca, milho e frutas nativas, esses povos desenvolveram uma técnica agrícola impressionante: a produção da chamada “terra preta de índio”. Esse solo fértil, resultado da mistura de matéria orgânica e carvão vegetal, permanecia produtivo por séculos e até hoje é considerado um dos mais ricos do planeta.
Para os arqueólogos, essas evidências revolucionam a forma como entendemos a história da Amazônia e do continente americano. A floresta, antes vista como um território isolado e virgem, foi, na verdade, um espaço vivo, manejado e moldado por sociedades complexas, cuja sabedoria ecológica ainda influencia o equilíbrio ambiental da região.
A Amazônia não é apenas o “pulmão do mundo” — ela é também o berço de uma das civilizações mais engenhosas e sustentáveis da história.










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