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Biodiesel de babaçu polui menos que o de soja e pode gerar renda no Norte e no Nordeste

  • Foto do escritor: Solano Ferreira
    Solano Ferreira
  • 21 de nov.
  • 3 min de leitura

Biodiesel produzido a partir de babaçu, uma espécie de palmeira comum no Norte e Nordeste do Brasil, emite menos poluentes que o de soja e apresenta desempenho comparável em motores geradores. O achado é resultado de um estudo de pesquisadores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que compararam pela primeira vez de forma abrangente os dois combustíveis em condições reais de operação. O trabalho, assinado por Benhurt Gongora, Reinaldo Bariccatti, Samuel de Souza, Doglas Bassegio e Rodrigo Sequine, será publicado na revista Engenharia Agrícola. 

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Foto: Marcelo Cavallari / WIkimedia Commons

A pesquisa testou o babaçu como alternativa à soja, que atualmente domina 70% da produção nacional de biodiesel. Os pesquisadores realizaram testes comparativos usando um motor gerador a diesel comum, do tipo utilizado para produzir eletricidade em pequenas propriedades rurais, sem fazer qualquer modificação no equipamento. Primeiro, a equipe produziu biodiesel puro de babaçu por meio de uma reação química com álcool e soda cáustica. Em seguida, misturou esse biodiesel com diesel comum em diferentes proporções. O mesmo procedimento foi aplicado ao biodiesel de soja.


Durante os testes, o gerador foi conectado a resistores e submetido a diferentes níveis de carga, variando de leve (500 W) a pesado (2.500 W), simulando condições reais de uso. Enquanto o motor funcionava com cada tipo de combustível, a equipe mediu duas variáveis essenciais: o consumo de combustível para gerar a mesma quantidade de energia (eficiência energética) e a emissão de poluentes, especialmente óxidos de nitrogênio (NOx) e monóxido de carbono (CO).


Os resultados têm implicações diretas para comunidades tradicionais e remotas do Norte e Nordeste brasileiro. O babaçu é uma palmeira amplamente distribuída nessas regiões, onde as populações locais já realizam o extrativismo das sementes. A utilização do babaçu como matéria-prima para biodiesel pode oferecer a essas comunidades acesso a uma fonte de energia renovável e localmente disponível, sem necessidade de transporte de combustível de outras regiões. Segundo Benhurt Gongora, um dos autores do estudo, os moradores dessas áreas já fazem a extração do babaçu para a alimentação e, com as sementes não usadas para consumo, eles poderiam produzir o biocombustível. “Não precisa usar nenhum equipamento de difícil operação, apenas alguns aparelhos com agitação e aquecimento com vidraria de laboratório”, diz.


Além do benefício energético, a produção pode gerar renda adicional para famílias que já trabalham com o extrativismo da palmeira. Do ponto de vista ambiental, a substituição parcial do biodiesel de soja pelo de babaçu pode reduzir a pressão sobre áreas agrícolas e diminuir as emissões de poluentes atmosféricos. Para o setor energético, os resultados apontam para a possibilidade de diversificação da matriz de biocombustíveis no Brasil, reduzindo a dependência da soja e do diesel importado. O babaçu apresenta ainda uma vantagem natural: suas sementes contêm até 66% de óleo, contra apenas 18% da soja, tornando-o mais eficiente em termos de óleo produzido por hectare.


Até este estudo, nenhuma pesquisa havia avaliado de forma abrangente o desempenho do biodiesel de babaçu comparado ao de soja em motores geradores. Os achados indicam que o biodiesel de babaçu é menos poluente do que o biodiesel feito de blends, feito a partir de uma mistura de diferentes óleos, e também menos do que o de soja. Isso reforça uma correlação encontrada em outros estudos da área: combustíveis com mais ácidos graxos saturados, como o de babaçu, tendem a produzir menos poluentes do que combustíveis insaturados como o de soja. Gongora também destaca que o babaçu oxida menos e pode ser armazenado por mais tempo.


Mesmo com os resultados positivos para o biodiesel de babaçu, os pesquisadores apontam que a próxima etapa fundamental da pesquisa é investigar a durabilidade do motor. Eles precisam entender o que acontece com as peças do motor ao longo do tempo e o uso contínuo desse biocombustível, ou seja, estudar os seus mecanismos de desgaste. Além disso, para confirmar a ampla viabilidade do combustível, eles planejam realizar testes adicionais com diferentes tipos de motores e sob outras condições operacionais.


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