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Brasil está pronto para exportar hidrogênio verde a partir de 2030, afirma Fernanda Delgado, da ABIHV

  • Foto do escritor: Solano Ferreira
    Solano Ferreira
  • 11 de nov.
  • 4 min de leitura

Com regulação e incentivos já aprovados, o Brasil avança na criação de um mercado competitivo de hidrogênio verde e derivados. Especialistas reunidos na ETRI 2025 destacaram que o combustível integra um portfólio mais amplo de tecnologias para a transição energética.

 

O setor brasileiro de hidrogênio verde e derivados, como metanol, amônia e fertilizantes, entra em uma nova fase de expansão. Segundo Fernanda Delgado, diretora executiva da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), as empresas estão prontas para iniciar a produção em 2029 e as exportações em 2030, impulsionadas por subsídios legais de € 3 bilhões previstos entre 2030 e 2034. A declaração foi feita durante o painel Descarbonização e Combustível do Futuro, realizado em 5/11, na 8ª edição da Energy Transition Research & Innovation Conference (ETRI) – evento do Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa da Universidade de São Paulo (RCGI-USP).

 

Delgado explicou que o país já possui regulação e políticas de incentivo consolidadas, o que estimula o setor privado. O foco agora, disse ela, é conectar compradores internacionais da Europa e da Ásia ao mercado brasileiro. "Nossa trajetória mostra que é possível unir política industrial e ambiental — como fizemos com o etanol, o biodiesel, a energia eólica e o gás natural liquefeito. No início, tudo parecia caro ou inviável, mas o tempo e o ganho de escala mudaram isso. Agora é hora de transformar as promessas em negócios concretos", afirmou.

 

Para Ricardo Martins, da Hyundai Motor das Américas Central e do Sul, o hidrogênio é peça central da mobilidade do futuro. Ele ressaltou o papel do Brasil como referência tecnológica, apoiada por políticas públicas e centros de pesquisa, mas lembrou que a descarbonização depende também da viabilidade econômica. "É fundamental investir em infraestrutura de produção e distribuição e em métricas confiáveis para calcular a redução real das emissões — algo essencial para atrair investimentos", disse. 

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(Crédito: Roberta Prescott)

 

Segundo ele, há mais de US$ 1 trilhão disponíveis globalmente para projetos de descarbonização e, até 2025, metade da mobilidade mundial deve ser movida a hidrogênio. "É uma oportunidade econômica e, sobretudo, uma questão de sobrevivência da sociedade", completou.

 

O cientista-chefe do TNO Energy & Materials Transition, André Faaij, afirmou que a transição energética exigirá uma reconfiguração industrial profunda, especialmente nos setores de combustíveis e na indústria química. Segundo ele, já existem tecnologias e sistemas economicamente viáveis para essa transformação nos próximos 25 anos, mas será necessário combinar múltiplas soluções, com presença de amônia, hidrogênio, biocombustíveis e combustíveis sintéticos.

 

Faaij observou que o novo portfólio global de combustíveis será híbrido e defendeu o desenvolvimento das "refinarias do futuro" — plantas industriais flexíveis, capazes de operar com diferentes origens de carbono e variados vetores de energia, produzindo combustíveis e insumos químicos de baixo carbono. "O horizonte de 25 anos é curto, e o elemento-chave é a inovação contínua", destacou. "Não cumprir a meta de limitar o aquecimento a 1,5 °C pode custar de 20% a 25% do PIB mundial; em um cenário de 3 °C, o impacto pode atingir dois terços da economia global", citou, com base em estudo recente publicado na Nature.

 

Para Plinio Nastari, presidente da Datagro, o etanol é o melhor vetor para o hidrogênio, por permitir gerar o combustível no ponto de uso a partir de uma fonte renovável abundante — abordagem que vem seno pesquisada pelo RCGI-USP. Ele lembrou que o Brasil substituiu mais de 4 bilhões de barris de gasolina e evitou 1 bilhão de toneladas de CO₂ desde o Proálcool, há 50 anos. Hoje, metade da matriz energética nacional é renovável. Nastari destacou ainda o sistema regulatório avançado e as certificações de biocombustíveis que permitem medir a intensidade de carbono, além do impacto dos biocombustíveis no desenvolvimento da engenharia automotiva brasileira, que tornou o país um dos seis polos mundiais do setor.

 

Mesmo em um setor tradicional como o marítimo, a transição energética avança. Flávio Haruo Mathuiy, da Marinha do Brasil, lembrou que a Organização Marítima Internacional (IMO) estabeleceu metas de descarbonização até 2050 e que a indústria naval já investe em combustíveis menos intensos em carbono, como amônia e metanol. Segundo ele, pressões de países produtores de petróleo adiaram parte das decisões, mas o movimento segue por iniciativa própria, impulsionado pela competitividade e pela sobrevivência de mercado. A Marinha, acrescentou, participa de fóruns e cooperações internacionais voltadas à eficiência energética e ao desenvolvimento de novos combustíveis marítimos.

 

***

Sobre o RGCI-USP – O Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) da USP é um Centro de Pesquisa em Engenharia, criado em 2015, com financiamento da FAPESP e de empresas por meio dos recursos previstos na cláusula de P,D&I dos contratos de exploração e produção de petróleo e gás. Atualmente estão em atividade cerca de 60 projetos de pesquisa ativos (em um histórico de 120), ancorados em oito programas: Solução Baseada na Natureza (NBS – Nature Based Solution); Captura e Utilização de Carbono (CCU – Carbon Capture and Utilization); Bioenergia, Captura e Armazenamento de Carbono (BECCS – Bioenergy with Carbon Capture and Storage); Gases de Efeito Estufa (GHG – Greenhouse Gases); Advocacy (Normalização, Regulamentação e Percepção Social); Núcleo de Inovação em Sistemas de Energia (InnovaPower); Descarbonização; e Centro 2 Centro (projetos em colaboração direta com centros de pesquisa dos Estados Unidos). O RCGI também possui um hub de pesquisa, o Geostorage, dedicado ao armazenamento em larga escala de energia e CO2. O centro, que conta com cerca de 800 pesquisadores, mantém colaborações com diversas instituições, como Oxford, Imperial College, Princeton e o National Renewable Energy Laboratory (NREL).


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