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Defensor da liberdade de expressão pune membro que usou a prerrogativa de exercê-la

  • Foto do escritor: Solano Ferreira
    Solano Ferreira
  • 2 de ago.
  • 3 min de leitura

Por Joel Elias*

DRT/AP 138


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Em um cenário político cada vez mais polarizado, a defesa da liberdade de expressão tornou-se um pilar central para diversas correntes ideológicas. No Brasil, o Partido Liberal (PL), sigla que abriga figuras proeminentes como o ex-presidente Jair Bolsonaro, tem se posicionado como um ferrenho defensor dessa prerrogativa, frequentemente acusando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de cercear tal direito em suas ações no combate a desinformação, o discurso de ódio e em defesa da democracia brasileira.


A expulsão do deputado federal Antônio Carlos Rodrigues (PL-SP) por criticar Donald Trump e defender o ministro Alexandre de Moraes expõe uma contradição gritante: o mesmo partido que se arvora em paladino da liberdade de expressão pratica a censura mais brutal contra seus próprios membros quando estes ousam divergir da cartilha oficial.

A "transgressão" de Rodrigues foi ter classificado como "absurda" a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes e ter defendido as ações do ministro do STF no combate à desinformação. Em um país democrático, essas declarações deveriam ser vistas como exercício legítimo do mandato parlamentar. No PL de Valdemar Costa Neto, porém, representaram um pecado capital que resultou em expulsão sumária. A ironia é devastadora: enquanto o partido critica sistematicamente Alexandre de Moraes por supostas violações à liberdade de expressão, seus dirigentes não hesitam em silenciar brutalmente um deputado que exerceu exatamente esse direito.


Mais grave ainda é o contexto político que envolve essa expulsão. O PL está alinhado com a estratégia de Eduardo Bolsonaro de buscar apoio internacional para pressionar o sistema judiciário brasileiro. A família Bolsonaro, através de seus representantes nos Estados Unidos, tem articulado sistematicamente para que o governo americano imponha sanções e pressões econômicas contra o Brasil, caso a Justiça brasileira prossiga com as investigações que apontam Jair Bolsonaro como líder de uma organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado.


A Lei Magnitsky aplicada contra Moraes não é um ato isolado, mas parte de uma estratégia coordenada para deslegitimar as instituições brasileiras e proteger os investigados. O PL, ao expulsar um parlamentar que questionou essa interferência externa, demonstra sua total submissão aos interesses estrangeiros, em uma atitude que beira a traição aos princípios de soberania nacional. Trump tem utilizado múltiplas ferramentas de pressão contra o Brasil: ameaças tarifárias, sanções individuais e chantagem diplomática. O objetivo é cristalino: forçar o Estado brasileiro a interromper as investigações sobre a tentativa de golpe de 2022 e garantir impunidade para Bolsonaro e seus cúmplices.


O mais chocante é ver um partido brasileiro endossar essa agenda antinacional. Ao expulsar Rodrigues por defender a soberania judicial brasileira, o PL deixa claro que seus interesses partidários estão acima da dignidade nacional. É uma postura que envergonharia qualquer organização política que tivesse um mínimo de compromisso com o país. Durante anos, o PL construiu sua narrativa política em torno da suposta defesa da liberdade de expressão e dos valores democráticos. Seus líderes se apresentavam como vítimas de uma "perseguição" do sistema judiciário, brandindo bandeiras de liberdade e constitucionalidade.


O caso Rodrigues derruba essa fachada de forma definitiva. Um deputado exerceu seu direito constitucional de expressar opinião divergente e foi sumariamente punido. Não houve processo interno, não houve debate democrático, não houve respeito às prerrogativas parlamentares. Houve apenas autoritarismo puro, disfarçado de disciplina partidária. A expulsão revela a verdadeira natureza do projeto político bolsonarista: autoritário, intolerante à divergência e subordinado a interesses externos. O PL não defende a liberdade de expressão; defende apenas o direito de propagar sua narrativa sem contestação.


Quando um de seus membros ousa pensar diferente, especialmente para defender as instituições brasileiras contra a pressão estrangeira, a máscara cai. A "liberdade" defendida pelo partido é, na verdade, licença para atacar a democracia sem enfrentar consequências. Ao escolher a lealdade cega a Trump e Bolsonaro em detrimento da soberania nacional, o PL comete um erro estratégico e moral de proporções históricas, hipotecando a dignidade do país aos caprichos de políticos estrangeiros e criminosos investigados.


A expulsão de Rodrigues não é apenas uma questão interna do partido; é um símbolo da degradação moral de uma organização política que perdeu completamente o rumo. Em vez de defender o Brasil, defende seus algozes. Em vez de proteger a democracia, protege seus inimigos. O episódio deve servir como alerta para a sociedade brasileira sobre uma força política que pratica exatamente aquilo que diz combater: a censura, o autoritarismo e o desrespeito às instituições democráticas, tudo isso enquanto trai os interesses nacionais para proteger criminosos investigados.


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* Joel Elias é jornalista atuante na Amazônia brasileira


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