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Sem alternativas, comunidades ribeirinhas da Amazônia queimam e enterram lixo, mostra estudo

  • Foto do escritor: Solano Ferreira
    Solano Ferreira
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Um estudo pioneiro analisou como os moradores das comunidades ribeirinhas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no Amazonas, lidam com os resíduos domésticos e quais impactos essas práticas têm sobre a saúde humana e o meio ambiente.

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Foto: Migue Monteiro / Instituto Mamirauá

Foram utilizados dados do Censo do Instituto Mamirauá, que incluiu perguntas sobre resíduos sólidos. Diante da falta de infraestrutura de coleta e saneamento básico, as comunidades desenvolveram práticas próprias, em sua maioria informais. Os métodos mais comuns identificados foram a queima de materiais inflamáveis, o enterro de materiais não inflamáveis, o descarte a céu aberto, o reaproveitamento pontual e, em menor escala, o transporte de resíduos para áreas urbanas próximas.


Os dados mostram que 88% dos plásticos, 63% das garrafas plásticas e 58% das fraldas, papel higiênico e absorventes foram queimados, enquanto 69% dos vidros, 63% das latas e 54% das pilhas foram enterrados. O óleo de cozinha apresentou destinos variados, sendo reaproveitado em sabão ou como alimento para animais em cerca de 30% dos casos. 


A predominância da queima e do enterro reflete soluções funcionais localmente, mas que não reduzem os riscos para a saúde ou ao meio ambiente. Isso porque a queima de resíduos plásticos e orgânicos libera gases tóxicos, como o enxofre, que pode provocar doenças respiratórias. O enterro de pilhas e baterias representa risco de contaminação do solo e das águas subterrâneas, podendo causar câncer, alterações genéticas e distúrbios neurológicos. Já o descarte em rios e igarapés compromete a pesca, principal fonte de renda das comunidades, e contamina os recursos hídricos.


“O problema é muito mais amplo, com pessoas morrendo por simples bactérias (E. coli)!”, diz o engenheiro ambiental Leonardo Capeleto de Andrade, pesquisador de pós-doutorado da Universidade de São Paulo (USP), e autor-sênior do artigo, publicado na Revista Desenvolvimento em Questão. O trabalho foi desenvolvido durante o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica Júnior no Instituto Mamirauá, por Milena Pinho Barbosa, acadêmica de história na Universidade do Estado do Amazonas.


Além das limitações estruturais, a mudança nos hábitos alimentares e o aumento do consumo de produtos industrializados ampliaram a geração de resíduos plásticos e embalagens. Algumas iniciativas locais, como a venda de latas para centros urbanos, mostram potencial de reaproveitamento, mas materiais como plástico e vidro continuam sendo descartados inadequadamente devido à falta de valor de mercado e de cadeias de reciclagem. 


“Se o plástico tivesse melhor valor agregado, certamente haveria menor poluição e descarte inadequado no Brasil. O mesmo para o vidro”, afirma Andrade. O pesquisador ainda defende que não é justo culpar a população pelo descarte inadequado, uma vez que o poder público não garante as soluções necessárias. 


Sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010, Andrade observa que essa foi uma conquista apenas no papel. “As pequenas cidades nunca conseguiram se adequar. Se quisermos alcançar as metas, é necessário investimento massivo dos poderes públicos. Não adianta ensinar a população a separar o lixo, se no fim do dia o mesmo é coletado tudo junto e jogado em um lixão a céu aberto”, enfatiza. 


O especialista diz que soluções eficazes devem combinar infraestrutura de coleta, logística reversa, incentivos econômicos e apoio técnico, aliadas à educação ambiental e valorização das práticas culturais locais. “Podemos transformar garrafas plásticas em vassouras, mas seria muito mais adequado evitar o consumo desses produtos. O foco precisa ser na redução da geração de resíduos”, conclui Andrade. 



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